A sustentabilidade vem deixando de ser apenas uma pauta ambiental para se tornar parte da rotina de empresas que buscam reduzir impactos, otimizar recursos e criar novos modelos de operação. No varejo alimentar, setor que lida diariamente com grandes volumes de alimentos, embalagens, energia e logística, esse desafio ganha proporções ainda maiores. No BIG BOX e ULTRABOX, a agenda de sustentabilidade começou a ganhar força a partir de 2020 e passou a integrar a própria estratégia da companhia. “A sustentabilidade não é uma área de uma empresa, ela é um princípio e valor que a gente acaba conduzindo”, afirma Pedro Helou, diretor de Sustentabilidade/ESG da rede.

Um dos primeiros focos foi a gestão de resíduos. Segundo Pedro, a rede identificou um volume expressivo de materiais que precisavam de destinação adequada, incluindo restos de alimentos, papelão, plástico e madeira. A partir desse diagnóstico, a empresa passou a estruturar processos para reaproveitar, reciclar ou destinar corretamente esses materiais. O resultado também trouxe uma mudança de conceito dentro da organização.“Começamos com uma palavrinha de quatro letras: lixo. A partir daí, nos perguntamos como poderíamos cuidar melhor desses materiais. E entendemos que o termo mais adequado é resíduo, porque o lixo é aquilo que descartamos, enquanto o resíduo pode voltar para a economia”, explica Pedro.

A estratégia envolve ainda o aproveitamento de materiais que antes poderiam ser descartados. Papelão e plástico utilizados na operação são prensados e transformados em fardos destinados à reciclagem, enquanto parte desses materiais é comercializada ou encaminhada para cooperativas. Além de reduzir a quantidade de resíduos enviados para descarte, o processo cria uma nova fonte de receita para a operação. Atualmente, oito das 48 lojas mencionadas por Pedro já possuem certificação Lixo Zero, com reciclagem de mais de 90% dos resíduos, e a meta é ampliar esse número para toda a rede. “Então a gente ainda tem mais 40 lojas para certificar, para elas ganharem o selo lixo zero”, afirma.

Menos desperdício, mais aproveitamento

O desperdício de alimentos é outro dos principais desafios enfrentados pelo varejo alimentar. Para reduzir as perdas, o  BIG BOX e ULTRABOX, combinam doações, reaproveitamento interno e iniciativas que aproximam produtos próximos da validade dos consumidores. Por meio de parceria com o programa Mesa Brasil, alimentos que não são comercializados são destinados a instituições. Segundo Pedro, a rede já contabiliza cerca de 270 toneladas de alimentos doados por ano.

A energia também está no centro da estratégia ambiental. Desde 2023, sensores instalados em câmaras frias e ilhas de congelados ajudam a identificar problemas e acompanhar o consumo dos equipamentos que mais demandam eletricidade. A tecnologia permite detectar situações como portas abertas ou vazamentos e orientar os colaboradores sobre práticas simples capazes de aumentar a eficiência. A rede também utiliza o mercado livre de energia e, segundo Pedro, as lojas operam com fontes renováveis, incluindo hidrelétrica, solar e eólica.

Sustentabilidade depende de pessoas

Para a empresa, entretanto, nenhuma estratégia ambiental funciona sem o envolvimento das equipes. Por isso, a formação dos colaboradores passou a integrar a agenda de sustentabilidade, com treinamentos, aulas e programas de desenvolvimento de lideranças. A chamada Academia da Sustentabilidade e a plataforma corporativa Unibox fazem parte dessa estrutura, que busca transformar práticas sustentáveis em hábitos presentes na rotina das lojas. “Sustentabilidade depende de pessoas. Se o meu colaborador não entender, não compreender, não comprar a ideia, ele não vai prensar o papelão, não vai fazer a doação, não vai pegar ali o resto de alimento e doar”, afirma Pedro.

A estratégia também começa a avançar para outras áreas. A empresa trabalha em um projeto inicial de reaproveitamento da água da chuva para utilização em banheiros e mictórios e estuda alternativas para reduzir as emissões relacionadas à frota de veículos. A intenção é primeiro medir a pegada de carbono da operação para, a partir dos dados, estabelecer ações de redução de gases de efeito estufa. Na logística, uma das iniciativas já adotadas é aproveitar o retorno dos veículos que abastecem as lojas para transportar de volta materiais como plástico e papelão.

A agenda também alcança a cadeia de fornecedores. Entre os compromissos assumidos está a transição para a comercialização de ovos de galinhas livres de gaiolas. A empresa trabalha com fornecedores para avançar nessa mudança, reconhecendo, ao mesmo tempo, os desafios relacionados ao preço e à oferta. Para Pedro, a sustentabilidade precisa considerar a realidade econômica do consumidor e avançar de maneira gradual. “A sustentabilidade ainda não é tão acessível. Essa é a grande realidade”, avalia.

Mais do que uma série de projetos isolados, a estratégia do  BIG BOX e ULTRABOX,  busca incorporar a sustentabilidade à rotina de lojas, colaboradores, fornecedores e consumidores. A proposta envolve desde ações simples, como a substituição do cupom impresso pelo digital, até projetos estruturados de gestão de resíduos, energia renovável, combate ao desperdício e formação profissional. “Eu digo que a gente cria um grande ecossistema através de uma comunidade de colaboradores, sócios, líderes e também clientes em prol da sustentabilidade”, resume Pedro.

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