Créditos: Edgard Cesar

A arquitetura pode ser também uma celebração daquilo que nos pertence. No Sebrae Feito à Mão, o arquiteto Rick Hudson transforma a diversidade cultural brasileira em uma experiência que aproxima memória, artesanato e cotidiano. Com 100 m², o ambiente parte do maximalismo do carnaval brasileiro para criar uma casa marcada pela sobreposição de cores, texturas, objetos e histórias.

A inspiração ultrapassa a estética carnavalesca e encontra no fazer manual uma expressão da identidade nacional. Sambas-enredo como Brasil Feito à Mão… do Barro ao Carnaval, de 1992, e Deus Fez o Homem e a Águia de Ouro Feita à Mão, de 2007, ajudam a construir essa narrativa, que reconhece o artesanato como patrimônio cultural e forma de pertencimento.

“Quisemos trazer para dentro da casa a riqueza de referências que existe na cultura brasileira. O carnaval nos ensina que a beleza também pode nascer do excesso, da mistura e da liberdade de combinar diferentes histórias”, afirma Rick Hudson.

Créditos: Edgard Cesar

A proposta ganha uma dimensão particular ao reunir, pela primeira vez, a loja do Sebrae e uma residência em um mesmo espaço. Em vez de apresentar o artesanato como objeto isolado, o projeto o coloca em diálogo com a arquitetura e o cotidiano, permitindo que móveis, peças e objetos sejam percebidos em situações reais de uso. A casa deixa, assim, de ser apenas cenário para tornar-se parte da experiência.

Toda a curadoria valoriza a produção do Distrito Federal, aproximando designers, artesãos e fabricantes locais. Entre as peças estão o Espelho Jô e a Poltrona Travessia, do Pé Esquerdo, a Poltrona Poty, de Lucas Caramés, a Coleção Candangas, de Gardênia Nascimento e Cleziania Ribeiro, o Cabideiro Veredas, da Mok + Paula Gambirasio, e a Banqueta Aura, de Danilo Vale.

Créditos: Edgard Cesar

A sustentabilidade atravessa o projeto desde a construção. O piso e o forro existentes foram preservados, enquanto sistemas construtivos a seco reduzem desperdícios de água e materiais. Entre os destaques está a Coleção Nós, do estúdio Pé Esquerdo, desenvolvida em parceria com o Studio Jader Rodrigues e o Instituto Ser Tão Fort. Luminárias, mesas e espelhos combinam madeira brasileira a cordões artesanais produzidos com resíduos têxteis da indústria de moda praia, aproximando design contemporâneo, economia circular e saberes tradicionais.

“Mais do que apresentar objetos, quisemos revelar as histórias que existem por trás deles. O artesanato carrega território, memória e saber. Ao trazê-lo para dentro de uma casa, aproximamos o fazer manual da vida cotidiana e mostramos que ele também pode construir identidade e pertencimento”, afirma Rick Hudson.

Créditos: Edgard Cesar

Em sua terceira participação na CASACOR Brasília, o arquiteto transforma o Sebrae Feito à Mão em um encontro entre criação, cultura e cotidiano. Entre cores, texturas, objetos e saberes, o ambiente celebra uma casa brasileira plural, onde cada escolha carrega uma história e o fazer manual encontra novas formas de permanecer vivo.

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