The Sinner / Netflix

Moda rápida, informação rápida, consumo rápido. Uma das características mais fortes da sociedade atual é a rapidez das coisas. A TV sempre foi símbolo dessa efemeridade e com a Internet, isso se potencializou ainda mais. Plataformas de streaming (Deus abençoe a Netflix) são produtos desse movimento marcado pela velocidade e enxurrada de conteúdo que chega até nós.

Nos últimos anos é notória uma tendência na produção de séries curtas, em formatos de minisséries ou séries antológicas. Se você é um(a) virginiano(a) prático(a) e objetivo(a) que tem preguiça de enrolação, ou é um(a) sagitariano(a) ou aquariano(a) que não consegue se apegar a uma série com muitas temporadas, ou simplesmente é uma pessoa que aprecia o ditado “menos é mais”, esses gêneros são ideais. Minisséries são nossas velhas conhecidas da programação da TV aberta nacional (quem não se sentiu um transgressor por assistir Presença de Anita ou Hilda Furacão não sabe o que foi infância), mas agora ganha ares de produções Hollywoodianas, com abordagens mais ousadas e profundas. As séries antológicas, geralmente, têm um enredo e personagens diferentes em cada temporada, embora continue com o mesmo nome e os mesmos atores. American Horror Story, Black Mirror,True Detective e Fargo são exemplos desse tipo de estrutura.

Nesse ano, seriados baseados em livros da escritora canadense Margaret Atwood destacaram-se e têm tido boa aceitação por parte do público como é o caso de The Handmaid’s Tale (produzido pela Hulu) e Alias Grace (Netflix).

The Sinner, disponível na Netflix, foi lançada no dia 25 de Outubro e desde então, vem atraindo a atenção e conquistando quem assiste. A história é sobre uma mulher, Cora (interpretada por Jéssica Biel), que está em um lago da cidade com a família, onde há muitos frequentadores, tem um surto e mata uma pessoa na frente de todos, mas não sabe explicar o motivo. Mesmo com a assassina presa, o detetive Ambrose fica obstinado em saber a razão por trás do crime.

The Sinner / Netflix

São 8 episódios e o enredo é hipnotizante (tem que ter muita força de vontade para não terminar tudo em um dia e se sentir órfão depois). O desenvolvimento da história e a construção minuciosa dos personagens criam uma unidade perfeita, sem cenas desnecessárias ou pontas soltas, tudo o que é apresentado ao telespectador tem uma razão de ser, é tudo muito “amarrado”. Tem um dos melhores plot twists (reviravoltas no enredo) que eu já vi na vida, daqueles que faz você se lembrar dele por dias e depois se culpar por ter assistido tudo de uma vez. Jessica Biel surpreendeu a todos com o show de interpretação que deu (vou até montar um fã clube para ela aqui no Brasil). O nome “The Sinner” é uma crítica latente ao fanatismo religioso (que não aparece apenas nesse livro de Margaret Atwood) e representa o protagonismo da anti-heroína.

Texto: Gabriela Morais

 

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